CASTELO DE SILVES

Castelo de Silves

Localização – Distrito: Faro; Concelho: Silves
Status: Classificado como Monumento Nacional desde 1910

Tempo de existência do Castelo

Castelo de Silves

Contexto Histórico

A primitiva ocupação humana da colina de Silves remonta à pré-história, acreditando-se que, no primeiro milénio a.C., navegadores Fenícios tenham subido o rio Arade (navegável até fins da Idade Média), e que, posteriormente, tenha conhecido a presença Romana, que aqui explorou uma jazida de cobre, conforme os testemunhos arqueológicos.

Defendem alguns especialistas que teriam sido estes os responsáveis por uma primeira fortificação, entre os séculos IV e V, também atribuída aos Visigodos que lhes sucederam.

Contudo, o que até agora se confirmou arqueologicamente é a existência de uma muralha construída (hoje quase totalmente oculta) logo após a conquista árabe no séc. VIII.

Assim a ocupação muçulmana foi a que exerceu maior influência no território, estando presente dos séculos VIII a XIII.

É durante esse período, particularmente dos séculos IX a XII, que Silves (ou Xelb, Xilb ou Al-Shilb como foi chamada no período muçulmano) se torna um importante centro económico, social e cultural.

Nessa altura, a medina Xelb recebeu o título de “berço da poesia arábico-andaluza”, sendo conhecida como a cidade de filósofos e poetas.

(Nota – uma medina é um aglomerado urbano organizado dentro de muralhas, ou seja, protegida dentro de uma fortificação.)

Foi aqui, por exemplo, que o poeta e terceiro e último rei Abábida da taifa de Sevilha, Al-Mutamide, viveu enquanto ainda príncipe. Mais tarde, já como rei, Silves passou a ser capital de uma taifa (reino islâmico independente), e deve datar desse período a configuração geral do perímetro amuralhado, em planta, que ainda hoje se mantém.

Castelo de Silves

Os primórdios do Castelo de Silves

O castelo de Silves é uma das principais fortificações muçulmanas em território nacional, e uma das que em melhor estado chegou até aos nossos dias.

A sua construção remonta aos inícios da dominação islâmica na península, como o parecem provar as descobertas arqueológicas de espólio datável dos séculos VIII-IX d.C.

Em posição dominante sobre a foz do rio Arade, constitui-se no maior castelo da região algarvia, sendo considerado como o mais belo exemplo da arquitetura militar islâmica no País. A área urbana envolvente desenvolve-se pelas encostas nascente, sul e poente.

Castelo de Silves

Reconstituição de Xelb (Silves) (Século XIII – ano de 1230)
Paineis de Victor Borges, autor de «Cursum Perficio» e de «Apokalypsis»

Foi construído na extremidade nascente do topo de um cerro com 56 m de cota máxima, junto à margem direita deste rio, onde o casario era entrecortado por ruas íngremes e irregulares que se estendiam até ao rio Arade.

Nos lados norte e oriente da elevação referida, as encostas, muito inclinadas, proporcionavam boas condições naturais de defesa.

A fortificação ocupa uma área de cerca de 12.000 m², tendo sido erguido com o emprego de taipa militar, recoberto com grés (arenito), material abundante na região e que lhe confere a conhecida tonalidade avermelhada.

Importa referir que a taipa militar é terra crua (solo) estabilizada com cal. Devido à sua versatilidade, qualidade, simplicidade de execução e abundância de matéria-prima (terra ou solo) adaptou-se, graças ao aumento da percentagem de cal, às grandes obras de construção de muralhas em taipa militar.

Com o tempo, a taipa militar estabiliza, ou dito de outra forma, a lenta oxidação da cal faz com que o solo ganhe a resistência de uma pedra dura e ofereça uma notável resistência aos agentes erosivos (chuvas, ventos, impactos, etc.).

E a dinastia almóada foi exímia na construção de muralhas em taipa militar.

Castelo de Silves

O Castelo de Silves apresenta uma muralha com planta de forma poligonal irregular, composta por 4 torreões e 7 quadrelas, com ameias, ligados por uma cortina de muralhas com adarve (ou caminho de ronda), rematadas por ameias com seteiras, ocupando uma área relativamente plana.

O castelo medieval

O que resta actualmente do sistema defensivo de muralhas que envolvia Silves remonta quase exclusivamente às épocas Almóada da ocupação islâmica (séc. XII-XIII) e das lutas da Reconquista cristã levadas a cabo pelos primeiros cinco reis de Portugal. As datas que destacaríamos são as seguintes:

Castelo de Silves

Retrato do Rei D. Sancho I de Portugal
Cornelis Galle (1621), Museu Holandês de Rijks

1189 – D. Sancho I (1185-1211) segue a política do seu pai (D. Afonso Henriques) e conquista, com o auxílio de cavaleiros da 3ª Cruzada à Terra Santa, primeiramente Alvor e depois Silves, numa altura em que esta era a mais importante cidade muçulmana a ocidente do rio Guadiana.

Depois da primeira tentativa fracassada dessa conquista, no início do ano, uma nova tentativa foi feita nesse mesmo ano, com um auxílio de uma nova frota de cruzados (agora de Ingleses e Alemães), que intentou, a partir da segunda quinzena de julho, a conquista de Silves.

Depois de mais de um mês de um duro cerco, a povoação capitulou.

Castelo de Silves

Desta história, chegou até nós a narrativa de um de seus participantes, que descreve a violência do cerco, assim como o emprego de uma variedade de máquinas de guerra, que incluíam torres de madeira, catapultas e de um “ouriço” (esfera de madeira armada com pontas de ferro).

Assim, no início de setembro, após a destruição de várias torres e troços das muralhas, a povoação acabou finalmente por se render.

1191– Sob o comando do califa Abu Yusuf Ya’qub al-Mansur, os muçulmanos contra-atacam e conquistaram novamente todos os territórios a sul do rio Tejo (incluindo Silves), com excepção da povoação de Évora.

1142 – Os cavaleiros da Ordem de Santiago – era ainda Rei D. Sancho II (1223-1248) – sob o comando de seu Mestre, D. Paio Peres Correia, intentou a reconquista de Silves. No entanto, isso só aconteceu definitivamente, sob o reinado seguinte, de D. Afonso III (1248-1279), no ano de 1253, altura em que o seu bispado foi restaurado.

O Castelo de Silves e os séculos XIII a XIX

D. Afonso III concedeu à povoação o seu Foral (1266), quando terá também determinado a recuperação e reforço das suas defesas. Posteriormente, D. Fernando (1367-1383) e D. João I (1385-1433) promoveram trabalhos de recuperação no castelo.

Castelo de Silves

Reconstituição de Xelb (Silves) (Século XIII – ano de 1230)
Paineis de Victor Borges, autor de «Cursum Perficio» e de «Apokalypsis»

Acredita-se que novos trabalhos de ampliação e reforço tenham ocorrido sob o reinado de D. Manuel I (1495-1521), que concedeu Foral Novo à Vila (1504), uma vez que datam desse período as obras da Igreja da Sé e da Misericórdia.

Nos séculos XIV e XV Silves desfrutou da prosperidade de ser a capital do bispado e do seu florescente comércio marítimo. Em 1457, o Infante D. Henrique é nomeado Alcaide-Mor de Silves, por Afonso V de Portugal (1438-1481).

Silves era então uma cidade de considerável importância marítima, comercial e agrícola, possuidora de estaleiros de construção naval e de um excelente porto fluvial, bem perto do Atlântico.

Castelo de Silves

Era então a mais importante cidade do Algarve, sede de bispado, e por aqui passava a via de comunicação que ligava a região ao resto do Reino de Portugal.

Foi também aqui que o cronista Gomes Eanes de Zurara, cavaleiro da Casa do Infante, escreveu a “Crónica da Tomada de Ceuta”.

Os séculos seguintes trouxeram o assoreamento do Rio Arade e consequente perda da sua navegabilidade (principal via de comunicação com o exterior) o que foi nefasto para a cidade que perdeu progressivamente a sua importância económica, política, militar e religiosa (com a mudança da sede episcopal para Faro em 1534).

O terramoto de 1755

Quando ocorreu o terramoto de 1755 a estrutura do castelo de Silves foi severamente danificada. De acordo com um testemunho contemporâneo “A cidade de Silves perdeu a sua Sé, Torre, castelo e muralhas”.

Em 1836, findas as Lutas Liberais (1828-1834) as muralhas do castelo foram intervencionadas a expensas da população, insegura com as ações de guerrilha do “Remexido” na região.

Do Século XX aos nossos dias

Nas décadas de 1930 e de 1940 do século XX, foram realizadas intervenções profundas de consolidação e restauro, a cargo da Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN), desobstruindo-se troços de muralhas e refazendo-se algumas torres, ameaçadas de ruína.

Castelo de Silves

O imóvel do Castelo encontra-se afeto à Câmara Municipal de Silves através de Auto de Cessão de 1940.

De 1965 a 1968 foram procedidas novas campanhas de intervenção. O conjunto sofreu novos danos, causados pelo sismo de 1969, após o que sofreu obras gerais de consolidação. Novas campanhas tiveram lugar nas décadas de 1970, 1980 e 2000 (no âmbito do Programa Polis).

Desde 1984 que decorrem escavações arqueológicas no interior do castelo, coordenadas por Rosa Varela Gomes (FCSH-UNL), docente e investigadora na área da Arqueologia Medieval Islâmica, que trouxeram à luz vestígios de edificações muçulmanas dos séculos VIII a XIII, tendo sido realizadas novas escavações mais recentemente.

Interrompida em 2020, fruto da situação de pandemia que Portugal e o Mundo atravessam, o Castelo de Silves acolhe todos os anos, desde há vários anos, uma das maiores e mais interessantes Feiras Medievais do país.

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