Castelo de Almourol

Localização – Distrito: Santarém; Concelho: Vila Nova da Barquinha
Status: Classificado como Monumento Nacional desde 1910

Tempo de existência do castelo

O Castelo e a sua localização geográfica

O Castelo de Almourol está situado numa pequena ilha escarpada do Rio Tejo, a jusante, um pouco abaixo da sua confluência com o rio Zêzere (em Constância).

Trata-se de um dos monumentos militares medievais mais emblemáticos e cenográficos da Reconquista Cristã da Península Ibérica, sendo, simultaneamente, um dos que melhor evoca a memória dos Templários no nosso país.

Assenta num afloramento de granito de uma pequena ilha (de 310 metros de comprimento por 75 metros de largura), ocupando a quase totalidade do espaço disponível, a uma cota superior a 15 metros de altura do nível das águas que lhe permitiu não ser afetado ao longo dos séculos, pelas cheias do Rio Tejo que normalmente se faziam sentir no inverno.

É um castelo de grande requinte construtivo, revelando os conhecimentos e a mestria dos Templários na arquitetura militar e um extraordinário aproveitamento do local, sendo a sua Torre de Menagem, uma das torres de menagem portuguesas mais antigas e datadas de Portugal.

Aqui trabalharam sem dúvida alguns dos melhores artífices que então existiam no reinado de Portugal, caso contrário não teria resistido tantos séculos aos estragos da passagem do tempo e à acção descuidada dos homens.

Breve Resumo histórico

A primitiva ocupação humana de seu sítio remontará a um castro pré-histórico, conquistado pelos romanos no século I a.C., que o remodelaram segundo a técnica castrense. Terá sido depois sucessivamente ocupado por Alanos, Visigodos e Muçulmanos.

Em escavações efetuadas no interior e exterior do castelo foram recuperados diversos vestígios da presença romana e do período medieval.

Quando em 1129 as tropas do futuro Reino de Portugal (1139) conquistaram este ponto estratégico do país, o Castelo já existia com a denominação Al-morolan (pedra alta).

A antiga fortificação foi então doada por D. Afonso Henriques (1112-1185), futuro Afonso I de Portugal (1145-1185), aos cavaleiros da Ordem do Templo, na pessoa de seu Mestre em Portugal, D. Gualdim Pais.

O Castelo de Almourol e a Ordem dos Templários

Importa referir que à época da construção do castelo de Almourol o que era doado à Ordem dos Templários eram zonas destruídas por eventos recentes, mal povoadas e a necessitar de estruturas defensivas visto tratarem-se de locais de fronteira, instáveis.

A Ordem do Templo tinha então como missão o povoamento do território entre os rios Mondego e Tejo e a defesa de Coimbra, a então capital do Reino de Portugal.

Nas mãos dos Templários, o castelo foi reedificado em data que desconhecemos, altura em que adquiriu, em linhas gerais, as suas atuais feições. Uma placa epigráfica sobre o portão principal, dá conta que as suas obras foram concluídas em 1171.

Alguns dos castelos Templários (por exemplo Soure ou Longroiva) já existiam antes de terem sido doados aos Templários. Nestes casos a Ordem procedeu sobretudo à reforma da sua arquitetura, visando melhorar as suas condições de defesa.

Já noutros casos (por exemplo Tomar, Pombal ou Almourol) os castelos foram construídos de raiz. Aqui os Templários aplicaram os seus conhecimentos de arquitetura militar revelando como estavam a par à época do seu estado de arte.

A Ordem do Templo foi aliás, responsável pela introdução de várias inovações na arquitetura militar portuguesa ao longo do século XII.

Refira-se ainda que o facto de a construção do castelo ter sido iniciada quando a Ordem trabalhava na Torre de Menagem do castelo de Pombal. Isso pode explicar que ambos tenham inscrições muito semelhantes, executados seguramente pelo mesmo artífice e com textos quase coincidentes.

Com a extinção da Ordem do Templo no século XIV (em 1312) o castelo de Almourol passa a integrar o património duma nova ordem militar: a Ordem dos Cavaleiros de Cristo ou Ordem de Cristo (que foi a sucessora em Portugal da Ordem dos Templários), o que ocorre durante o reinado de D. Dinis.

O Castelo de Almourol e a perda da sua importância estratégica

Afastada a conjuntura reconquistadora que justificou a sua importância nos tempos medievais, assistiu-se à perda progressiva da importância estratégica do castelo de Almourol e este foi votado a um progressivo esquecimento e abandono.

Surge numa referência em Memórias Paroquiais do século XVIII (1756) onde é escrito, e passamos a citar “já assim estava há cerca de cem anos”.

O terramoto de 1755 provocou danos consideráveis na estrutura do castelo. Mais tarde, já no século XIX, é “redescoberto”, inserido numa onda europeia de busca romântica e de revalorização da Idade Média, que também se viveu em Portugal.

Em consequência foram efetuadas obras de restauro, desconhecendo-se, no entanto, a verdadeira extensão do impacto provocado nas estruturas existentes.

O Castelo de Almourol nos Séculos XX e XXI

Na segunda metade do século XX o castelo foi entregue ao Exército português, sob a responsabilidade do comandante da Escola Prática de Engenharia de Tancos, a que está afeto até aos nossos dias (Ministério da Defesa Nacional).

Mais recentemente (1996) a Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN) e o Serviços de Engenharia do Estado Maior do Exército procederam a diversas obras de conservação e beneficiação do castelo.

Já este século (2013), promovidas pela Câmara Municipal de Vila Nova da Barquinha, novas intervenções de beneficiação das muralhas foram levadas a cabo bem como a intervenção na Torre de Menagem do Castelo de Almourol para criar um espaço museológico.

Em 2006 foram inaugurados dois novos cais para embarcações turísticas: um na margem direita do Tejo e outro na zona sul da ilha

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