CASTELO DE PORTO DE MÓS

Castelo de Porto de Mós

Localização – Distrito: Leiria; Concelho: Porto de Mós
Status: Classificado como Monumento Nacional desde 1910

Tempo de existência do Castelo

Castelo de Porto de Mós

A ocupação inicial do local do castelo

Sobre a ocupação do morro onde se localiza atualmente o castelo, no período anterior ao século XII pouco se sabe, à semelhança do que acontece com o vizinho Castelo de Ourém.

No que diz respeito a uma ocupação muçulmana deste território, também pouco se sabe, não estando arqueologicamente documentada a sua possível ocupação, sendo apenas conhecidas possíveis influências deixadas na toponímia do concelho (Alvados, Alcaria, Alqueidão) e das regiões vizinhas (Alcobaça, Aljubarrota, Alpedriz, Almofala).

O Castelo Medieval

O castelo de Porto de Mós constitui um exemplar singular, de arquitetura militar e residencial, nos estilos gótico e renascentista.

De enquadramento urbano, encontra-se isolado sobre um morro na cota de 148 metros acima do nível do mar, sobranceiro à vila de Porto de Mós e de onde se avista o vale do rio Lena e a serra dos Candeeiros.

A data da tomada do castelo de Porto de Mós por D. Afonso Henriques é ainda hoje desconhecida. Tem-se sugerido, no entanto, a existência de uma atalaia islâmica, que foi conquistada por pelo primeiro Rei do Reino de Portugal em 1148 (depois das conquistas de Lisboa, Palmela e Santarém), mas os vestígios materiais dessa realidade tardam em aparecer.

A tradição refere que após a conquista da fortaleza o rei deixou no seu comando a mítica figura de D. Fuas Roupinho, que nos anos seguintes continuou a travar batalhas com as forças muçulmanas que assediavam este castelo.

Exemplos disso são duas investidas almóadas sobre Porto de Mós, documentadas: a primeira em 1178 e a segunda em 1180, chefiada pelo emir de Mérida, que aproveitou a ausência das tropas do Reino em conquistas no Alentejo, tendo sido o assalto travado com o auxílio dos cavaleiros da Ordem de Avis.

Castelo de Porto de Mós

D. Fuas Roupinho – Lenda da Nazaré (Aguarela sobre papel, de Alfredo Roque Gameiro)

D. Fuas Roupinho

Este cavaleiro ficou ainda célebre no lendário episódio ocorrido no Sítio da Nazaré. De acordo com a lenda, D. Fuas Roupinho andava à caça e denso nevoeiro se levantou.

Quando este se aproximava do abismo, uma poderosa força imobiliza o cavaleiro e sua montada, salvando-os de uma morte mais do que certa.

Após a morte de D. Fuas Roupinho em 1182, as tropas muçulmanas terão feito nova investida em Porto de Mós, destruindo a povoação, que só viria a ser reconstruída e povoada por volta de 1200, por ordem de D. Sancho I.

Ao monarca D. Sancho I se atribui uma primeira construção militar, posteriormente alargada e reforçada no reinado de D. Dinis, numa campanha que chegou a cercar toda a povoação.

No contexto da crise de 1383-1385, a povoação e o seu castelo tomaram o partido do Mestre de Avis. As forças portuguesas, sob o comando do soberano, aqui acamparam a caminho da batalha de Aljubarrota (1385).

14 de agosto de 1385 aproximava-se. Dois dias antes, em pleno verão desse longínquo ano, as tropas do Reino comandadas por D. João I e D. Nuno Álvares Pereira repousaram nas redondezas de Porto de Mós.

Iam enfrentar o numeroso exército castelhano que se aproximava da região. O dia decisivo chegou e o confronto inevitável aconteceu, nos campos de Aljubarrota.

Castelo de Porto de Mós

Porto de Mós – Jardim Municipal de S. Pedro

Painel de azulejos “D. Fuas Roupinho” (de Victor Santiago, 1985)

Neste painel de azulejos, D. Fuas Roupinho, com indumentárias e armas da época apresenta os seus prisioneiros de guerra muçulmanos ao Rei D. Afonso Henriques.

Esta batalha, onde Portugal defendia a independência de Castela, constitui um marco na História deste país e traduziu-se numa vitória ímpar, estrategicamente muito bem delineada, das forças do reinado de Portugal.

Sobre D. Nuno Álvares Pereira podemos dizer que é considerado o maior estratega, comandante e génio militar português de todos os tempos. Comandou forças em número substancialmente inferior ao inimigo e venceu todas as batalhas que travou.

É o patrono da Infantaria portuguesa. A sua forma de comandar, caracterizou-se fundamentalmente pelo exemplo e pelas inúmeras virtudes militares, junto dos seus homens.

Castelo de Porto de Mós

D. Nuno Álvares Pereira, por Charles Legrand (1838-1850), Biblioteca Nacional de Portugal

Após a vitória e como forma de reconhecimento D. João I, faz uma carta de doação ao Condestável D. Nuno Álvares Pereira, atribuindo-lhe entre outras vilas o condado de Ourém e Porto de Mós.

Este, por testamento, legou Porto de Mós a sua filha e seu genro – os primeiros duques de Bragança.

É nesta altura (na 2.ª metade do século XV), quando a localidade entrou na posse de seu filho, D. Afonso (Conde de Ourém e 1º Marquês de Valença), que o mais importante contributo construtivo para a história de Porto de Mós ocorreu.

Castelo de Porto de Mós

Iluminura do século XV representando a Batalha de Aljubarrota

(in Jean de Wavrin, Chronique d’Angleterre, British Museum, Londres)

Importa referir que D. Afonso foi um diplomata e militar culto e viajado, tendo decidido transformar a medieval fortaleza em residência palaciana.

Em Ourém, o conde promoveu avultadas obras, ao abrigo de um italianismo ímpar no nosso país. O majestoso paço que construiu no castelo de Porto de Mós inscreve-se neste mesmo movimento e constitui um dos capítulos marcantes na história na evolução da arte quatrocentista nacional.

Séculos XVIII e XIX

Contudo, a passagem inexorável do tempo e as catástrofes naturais danificaram com gravidade parte do castelo, particularmente a arruinada fachada virada a norte.

Por volta de 1735 uma das cinco torres do castelo ruiu. Aquando do terramoto de 1 de novembro de 1755 o castelo foi severamente danificado, tendo ficado de pé apenas três torres, muito arruinadas.

A muralha ficou aberta do lado norte, e ruiu parte da varanda do lado sul. Em 1909 um novo sismo destruiu três das arcadas da varanda, deixando à vista as abóbadas.

Castelo de Porto de Mós

Castelo de Porto de Mós à noite

Séculos XVIII e XIX

A intervenção do poder público teve lugar a partir de 1936 pela Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (D.G.E.M.N.), que promoveu extensa intervenção de limpeza, conservação e restauro que se estendeu até ao final da década de 1950.

Novas intervenções foram realizadas em 1960 (instalação da iluminação “festiva” do castelo), na primeira metade da década de 1970, na década de 1990 (quando tiveram lugar escavações arqueológicas, 1991-1992), em 2001 e entre 2004-2007.

Mais recentemente, em 2019, novas intervenções de reabilitação e acessibilidade foram realizadas, visando preservar o Castelo e torná-lo mais inclusivo.

Castelo de Porto de Mós

Vista aérea de Porto de Mós e do seu castelo

(Blogue Portugal Fotografia Aérea)

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