CASTELO DE SANTA MARIA DA FEIRA

Castelo de Santa Maria da Feira

Localização: Distrito: Aveiro ; Concelho: Concelho de Santa Maria da Feira
Status: Classificado como Monumento Nacional desde 1910

Tempo de existência do castelo

Castelo de Santa Maria da Feira

Resumo histórico do castelo

A fundação dos principais e mais antigos Castelos de Portugal encontra-se envolta pela neblina dos séculos que já passaram e não é muito fácil ver-se com nitidez através dela. O Castelo de Santa Maria da Feira é um dos exemplos dessas histórias.

O “Castelo da Feira” também chamado “Castelo de Santa Maria” e “Castelo de Santa Maria da Feira”é considerado um dos exemplos mais completos da arquitetura militar medieval no país, nele se encontrando representada a vasta gama de elementos defensivos empregados no período medieval.

Embora a primitiva ocupação humana do seu sítio remonte à pré-história, adquiriu maior relevância quando os Lusitanos aqui ergueram um templo em honra da divindade Bandeve-LugoTueræus.

À época posterior, da Romanização, por aqui passava a estrada que unia Olissipo (Lisboa) a Bracara Augusta (Braga), conforme testemunhos arqueológicos aí encontrados.

Quando mais tarde, em meados do séc. IX, Afonso III de Leão criou a região administrativa e militar a que deu o nome de Terra de Santa Maria, a sua chefia foi entregue a uma fortaleza militar ali existente, a Cívitas Sanctae Mariae.

Durante muitos anos esta fortaleza funcionou como base avançada das tropas da reconquista cristã e como sentinela contra as invasões árabes vindas do sul.

Por duas vezes, no ano 1000, Almansor – o lendário guerreiro árabe – conquistou o Castelo e arrasou a povoação anexa. E por duas vezes, também, os guerreiros e habitantes cristãos reconquistaram a fortaleza, reconstruíram a povoação e mantiveram-lhe o nome de Civitas Sancta Mariae.

Isto atesta bem a coragem e a firmeza das convicções religiosas daquelas gentes.

No reinado de Bermudo III de Leão (1028 a 1037) os guerreiros árabes invadiram de novo esta zona, mas foram rechaçados na batalha de César, na povoação que ainda hoje mantém este nome e está situada nas proximidades do Castelo.

Isso origina a primeira referência documental conhecida à fortificação, e que consta no manuscrito “ChronicaGothorum” (“Crónica dos Godos”, anónimo, séculos XII-XIII), que noticia a vitória de Bermudo III de Leão sobre um chefe Muçulmano em terras do Castelo de Santa Maria (1045).

Durante largos anos, a “Terra de Santa Maria” permaneceu “terra de fronteira” com os árabes. Só depois da conquista de Coimbra (1067) este território deixou de ser “zona de guerra”. Mas não foi, também, “zona de paz” tal como sucedia com as povoações a norte do rio Douro.

Depois da conquista de Coimbra, aquele território, funcionou como o grande “viveiro” de cavaleiros e de peões que alimentava a frente sul. Isto só foi possível, porém, pelo caracter permanente da organização militar instalada na “Terra de Santa Maria”.

À época da Reconquista cristã da região este centro religioso pagão veio a ser transformado num centro de culto Mariano, desenvolvendo-se aqui uma feira regional das mais importantes do Reinado, cuja elevada expressão deu mesmo nome à povoação que nasceu e se desenvolveu à sombra do castelo: Feira de Santa Maria.

O castelo medieval

Quando D. Henrique, (1095-1112) recebeu as terras do Condado Portucalense (1095), estas incluíam os domínios não apenas deste Castelo de Santa Maria, mas também o Castelo de Guimarães, o Castelo de Faria e o Castelo de Neiva.

Com o falecimento do conde, diante da ascendência do galego Fernão Peres de Trava sobre a viúva, D. Teresa de Leão, os senhores ao sul do rio Minho, insatisfeitos, organizaram-se em torno do filho, o jovem D. Afonso Henriques, que, entretanto, se armou cavaleiro (1125).

Para além da sua importância militar, devemos ter em conta a sua dimensão político-cultural, uma vez que foi fundamental para a vitória de São Mamede, em 1128, que foi decisiva para a independência e fundação do Reinado de Portugal, quando o alcaide deste castelo (Pêro Gonçalves de Marnel), tomou o partido de D. Afonso Henriques contra a sua mãe, D. Teresa e o conde galego Fernão Peres de Trava.

Na posse da coroa ou de particulares, consoante as vicissitudes da História portuguesa, o Castelo sofreu algumas obras de conservação e remodelação, mas nunca perdeu o carácter medieval inicial.

Passando para o património da Casa do Infantado, depois de 1708, o castelo sofreu um violento incêndio que marcou o início do seu longo declínio e ruína.

Castelo de Santa Maria da Feira

Tendo a municipalidade iniciado as obras da sua reconstrução em 1887, foi, contudo, com a visita de D. Manuel II, em 1908, bem como com a criação, no ano seguinte da «Comissão de Vigilância pela Guarda e Conservação do Castelo da Feira» que, como o título indica, se atribuiu a sua vigilância e conservação, que as mesmas obras se efetuaram.

O importante trabalho realizado entre 1935 e 1938, pela Direcção-Geral dos Monumentos Nacionais restitui-o ao seu maravilhoso esplendor quatrocentista.

Mais recentemente, entre 1992 e 2006 realizaram-se estudos arqueológicos e importantes obras de restauro e conservação, de que se salienta a reabilitação da Capela e da Torre de Menagem.

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