CASTELO DE LEIRIA

Castelo de Leiria

Localização – Distrito: Leiria; Concelho: Leiria

Status: classificado como Monumento Nacional desde 1910

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Tempo de existência do Castelo

Contextualização

Não existem informações seguras acerca da primitiva ocupação humana do sítio do castelo, embora a região de Leiria seja rica em testemunhos arqueológicos pré-históricos e romanos.
No entanto, os mais recentes trabalhos de arqueologia preventiva realizadas no castelo de Leiria, no âmbito das obras de requalificação em curso vieram trazer nova luz sobre a ocupação do espaço. De acordo com as informações prestadas pela equipa de arqueólogos envolvidos, nas escavações já realizadas foram encontradas evidências de uma ocupação mais antiga.

Assim, entre outros achados viram a luz do dia, uma habitação com estuques pintados que remetem para o período romano e partes de uma fortificação com aproximadamente 3000 anos, ou seja, do final da Idade do Bronze ou início da Idade do Ferro.
Sabemos que à época da Reconquista cristã da Península Ibérica (em pleno século XII), a região constituía, um ponto crucial da defesa da fronteira sul do Condado Portucalense.

Castelo de Leiria

Planta da cidade de Leiria – pelo major Manoel Joaquim Brandão de Sousa às ordens do tenente coronel

Maximiano José da Serra. – Escala [1:2000], (1816)

O castelo medieval

Ao consolidar o seu governo a partir de 1128, o jovem D. Afonso Henriques (1112-1185), na altura com apenas 26 anos, planeou alargar os seus domínios, então limitados a Norte pelo rio Minho, a Sudoeste pela Serra da Estrela e a Sul pelo rio Mondego. Para esse fim, a partir de 1130, invadiu por diversas vezes os territórios vizinhos da Galiza a Norte, ao mesmo tempo em que se mantinha atento à fronteira sul, constantemente atacada pelos muçulmanos.
Para defesa da fronteira Sul, fez erguer estrategicamente, de raiz, em 1135, um novo castelo entre Coimbra e Santarém, no alto de uma elevação rochosa (a uma altitude que ronda os 86 metros) um pouco ao sul da confluência do rio Lis com o rio Lena.

A sua guarnição e comando, foi confiada a D. Paio Guterres, seu primeiro Alcaide, que teve como missão a defesa da nova fronteira que ali tentava firmar. À povoação que também se iniciava, e que passaria a designar o respectivo castelo, chamou de Leiria.
Dois anos mais tarde, a povoação e o seu castelo foram assaltados pelas tropas do Califado Almóada, que se aproveitaram de uma investida das forças de D. Afonso Henriques a Norte, à Galiza (1137). Após uma encarniçada resistência, Paio Guterres e seus homens foram forçados a abandonar as suas posições.

De volta ao reino, o monarca organizou uma contraofensiva para conter o avanço dos mouros, cujas forças combinadas derrotou na épica Batalha de Ourique (em 1139). No final desse mesmo ano, os muçulmanos, cientes de que o monarca Português havia encetado uma nova campanha contra o rei de Leão, na Galiza, atacaram e novamente conquistaram Leiria e seu castelo. Desta vez, os defensores, sofreram pesadas baixas, vindo o seu alcaide, D. Paio Guterres a ser feito prisioneiro.
Reconquistado novamente o Castelo de Leiria, por D. Afonso Henriques (1142), o monarca outorgou Carta de Foral à povoação, determinando a reconstrução e reforço da estrutura do castelo, no qual fez erguer uma Capela sob invocação de Nossa Senhora da Pena ou de Santa Maria do Castelo (entre 1144 e 1147).

Afonso Henriques na Batalha Ourique de Jorge Colaço (Centro Cultural Rodrigues de Faria, Esposende)

Depois de duas vezes perdido e duas vezes reconquistado, o castelo de Leiria tornou-se pertença permanente do Condado Portucalense, tendo sido importante na conquista de Santarém e Lisboa e, como tal, na construção e consolidação do Reino.
O seu sucessor, D. Sancho I (1185-1211), concedeu novo Foral à vila (1195), determinando erguer-lhe uma cerca amuralhada. À época, a vila constituía um próspero e pujante centro económico, graças ao comércio de cereais e produtos alimentares (trigo, azeite, vinho, frutas), de madeiras (pinhal de Leiria), de minérios (ferro, carvão, sal-gema, calcário) e de produtos artesanais (lanifícios e tecelagens, couros, olarias, ferragens).

As Cortes de Leiria de 1254

Em 1254, Afonso III de Portugal (1248-1279) convocou representantes do clero, da nobreza e do povo para a realização das Cortes de Leiria. As Cortes reuniram-se na igreja de São Pedro, dentro das muralhas do Castelo de Leiria.
Outros monarcas dedicaram atenção a Leiria, destacando-se D. Dinis (1279-1325), que ali residiu por diversas ocasiões, vindo a doar, no ano de 1300, à rainha Santa Isabel, a vila e o seu castelo, escolhidos para a criação de seu herdeiro, o príncipe D. Afonso (nesta altura os Paços localizavam-se no antigo seminário).

D. Dinis, Rei de Portugal ( representação do séc. XIX)

Tecto da Sala dos Reis, Quinta da Regaleira, Sintra

É a D. Dinis que se atribui a adaptação do castelo à função de palácio, a reconstrução da capela de Nossa Senhora da Pena e o início da construção da poderosa Torre de Menagem (em 1324), poucos meses antes do seu falecimento. Esta torre foi concluída no reinado de seu sucessor, conforme inscrição epigráfica no seu exterior.
O Castelo de Leiria foi das primeiras fortificações a erguer o pendão de Portugal. O Brasão na porta norte tem dois escudos na horizontal, o que indica que foi colocado em época anterior a D. João II, pois este rei ordenou que os escudos do brasão de Portugal estivessem todos na vertical.

Brasões de Portugal

No início do século XIX, e em consequência da Guerra Peninsular, as tropas francesas provocaram extensos danos à cidade e aos seus monumentos, nomeadamente na Sé e no Castelo. O Castelo ficou em ruínas, perdendo assim o seu valor militar, tendo sido posteriormente abandonado. Já no final do século XIX, por iniciativa da Liga dos Amigos do Castelo, o arquiteto Ernesto Korrodi elaborou um projeto de restauro das ruínas do Castelo (Zurique, 1898).

Castelo de Leiria e o Século XX

Finalmente, em 1915, a Liga iniciou as obras de restauro pleiteadas, com fundos próprios e o auxílio do poder público, através da Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN). Sob direção de Ernesto Korrodi, realizou-se uma parte significativa da recuperação do Castelo. O seu trabalho desenvolveu-se até 1934, quando ele sai do projeto. As obras, porém, prosseguiram na década de 1930, com base nos seus desenhos Novas campanhas de recuperação foram retomadas pela DGEMN em meados da década de 1950, prosseguindo nas duas décadas seguintes.

Castelo de Leiria

Novas intervenções foram realizadas em meados da década de 1980, prosseguindo pela década de 1990, a que se junta a intervenção de requalificação iniciada em 2018 e cujas obras devem estar concluídas neste ano de 2021.
Desde 2010 o castelo aloja o Festival de Verão “Entremuralhas/Extramuralhas”, um evento musical de nicho que é considerado o único festival de rock gótico do mundo.
A reabertura do monumento ao público está prevista para 2021, e apresenta como destaque a torre, requalificada como espaço museológico, onde podem ser apreciados artefactos arqueológicos encontrados no local e armaria medieval.

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